Caderno Nova Revolução Humana
Caderno Nova Revolução Humana
O diálogo une as pessoas e requer coragem
Edição 2154 - Publicado em 03/Novembro/2012 - Página D2
Volume 21, capítulo “SGI”. Partes 49 e 50. Capítulo “Diplomacia do Povo”. Partes 1 a 6

SENTIMENTO.
Presidente Yamamoto exprime sua opinião em relação aos membros sul--coreanos

GRANDE
DESENVOLVIMENTO.
Sede Central da Soka Gakkai na Coreia do Sul: “Vamos estabelecer uma
seção na Sede Central da Soka Gakkai que apoiará nossos membros
sul-coreanos. Essa tarefa não deve ser deixada para os outros”

RETORNO. Após fundar a SGI, Shin-iti Yamamoto regressa ao Japão acompanhado de sua esposa, Mineko

DIÁLOGO.
Shin-iti e Mineko conversam com o ex-primeiro-ministro japonês Eisaku
Sato e esposa, Hiroko. Sato disse: “Seu sincero e apaixonado conselho ao
primeiro-ministro soviético, Aleksey Kosygin, o incentivou a se
encontrar comigo”

AMIGOS. Encontro do presidente Yamamoto com o primeiro-ministro soviético, Aleksey Kosygin

POLÍTICA. Shigeru Yoshida exerceu a função de primeiro-ministro do Japão de 20 de maio de 1946 a 21 de maio de 1947

OGASAWARA. É um arquipélago formado por mais de 30 ilhas subtropicais e tropicais
PARTE 49
Enquanto caminhava pela sala de reunião na Primeira Conferência para a Paz Mundial, Shin-iti Yamamoto pensou nos membros da Coreia do Sul e lamentou a situação deles. Naquela noite, discutiu as circunstâncias nesse país com os principais líderes da Soka Gakkai:
— Quero fazer algo para apoiar nossos membros sul-coreanos. Seria uma vergonha para eles se a situação ficasse como está. Hoje, fui nomeado presidente da SGI. Uma das minhas funções é cuidar para não produzirmos líderes que incentivem o tipo de partidarismo e exploração da organização para ganho pessoal que, infelizmente, presenciamos na Coreia do Sul. Se essas condições persistirem, prejudicarão não só aqueles diretamente envolvidos, mas todos os membros e o país como um todo. E isso também não é algo restrito a esse país. Com qualquer uma das nossas organizações ao redor do mundo, se o fluxo de pura fé for obstruído, os líderes serão corruptos e degenerados. Isso, por sua vez, levará ao autosserviço de partidarismo e ao conflito interno. Não devemos permitir que isso aconteça.
Shin-iti disse ainda que a primeira tarefa que a SGI deveria realizar seria proporcionar aos membros sul-coreanos a necessária orientação e o incentivo para avançarem em harmonia e união:
— Vamos estabelecer uma seção na Sede Central da Soka Gakkai que apoiará nossos membros sul-coreanos. Essa tarefa não deve ser deixada para os outros. Os altos líderes devem cuidar disso e os responsáveis precisam viajar com frequência à Coreia do Sul, trocar ideias com os associados dos grupos lá e inspirá-los a construir uma organização harmoniosa em todo o país. Para isso, devem enfatizar a importância da união.
O Buda Nitiren Daishonin afirma: “Se o espírito de muitos corpos com uma única mente prevalecer entre as pessoas, elas alcançarão todos os seus objetivos, ao passo que se tiverem um corpo com diferentes pensamentos, não conseguirão nada de extraordinário” (WND, v. 1, p. 618).
Sem união, o caminho para alcançar o Kossen-rufu é fechado. Se tal fato acontecer, o caminho para a felicidade de todos também será bloqueado. Isso é um problema maior que deve ser evitado a todo custo.
Daishonin também declara: “Nitiren e seus discípulos são poucos em número, mas por agirem em união harmoniosa, realizarão a grande missão de propagar o Sutra de Lótus. Muitos fogos enfurecidos são debelados por uma única chuva e muitas forças más são vencidas por uma única grande verdade” (END, v. 1, p. 409).
Mesmo diante de circunstâncias adversas, desde que todos estejam unidos com base na fé, abrirão o caminho para o avanço do Kossen-rufu. União é poder.
PARTE 50
Daishonin ainda ressalta: “Todos os discípulos e apoiadores leigos de Nitiren devem recitar o Nam-myoho-rengue-kyo com o espírito de muitos corpos com um único pensamento, transcendendo todas as diferenças entre si para tornarem-se tão inseparáveis como os peixes da água.
“Esse laço espiritual é a base da transmissão universal da Lei suprema da vida e da morte. Aqui reside o verdadeiro objetivo da propagação de Nitiren. Quando estão assim tão unidos, mesmo o grande desejo de realizar a propagação mundial [o Kossen-rufu] pode ser concretizado” (WND, v. 1, p. 217).
Essas palavras indicam que a herança do budismo, a grande lei da vida, flui dentro de nós quando praticamos a fé com o desejo comum de alcançar o Kossen-rufu. Nossa união é baseada na solidariedade indivisível de mestre e discípulo que juntos se dedicam ao Kossen-rufu. É também alicerçada na união de todos os membros que trabalham pelo nosso objetivo comum.
O Kossen-rufu pode ser comparado a uma tapeçaria, tecida com os fios da unicidade entre o mestre e os membros; isto é, com os fios da trama da união de “muitos corpos com uma única mente”.
Ao mantermos esta fé unida, desfrutamos de benefícios imensuráveis e avançamos no caminho da revolução humana. Assim, manifestamos o estado de Buda nesta vida.
Avançar em união harmoniosa é em si o triunfo pessoal de cada indivíduo sobre o egoísmo, porque a união não é criada entre os egoístas e não cooperativos.
A Soka Gakkai é uma organização dedicada ao Kossen-rufu de acordo com a intenção e o decreto do Buda. O segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, foi perseguido pelas autoridades militares em tempos de guerra no Japão. Nessa época, ele leu o Gosho com a própria vida e atingiu a iluminação na prisão.
Jossei Toda proclamou sua convicção: “Nos sutras do futuro, o nome da Soka Gakkai será registrado como ‘Buda Soka Gakkai’”. Em qualquer país ou região, nenhum indivíduo ou grupo jamais devem ser autorizados a prejudicar nossa organização ou explorá-la para ganho pessoal.
Daishonin adverte: “Nem os não budistas nem os inimigos do budismo conseguem destruir o correto ensinamento de Aquele que Traz a Verdade, mas os discípulos do Buda realmente conseguem. Conforme diz o sutra, somente os vermes nascidos no corpo do leão alimentam-se dele.” (WND, p. 302). O Kossen-rufu é uma luta sem fim contra essas forças destrutivas, tais como influências demoníacas.
Com base na orientação que Shin-iti proferiu em Guam, o vice-presidente da Soka Gakkai, Hiroshi Izumida, e outros líderes começaram a visitar a Coreia do Sul com frequência e conversar longamente com representantes de diversas regiões.
Em maio de 1976, a Associação Budista Coreana foi formada como uma organização unindo os membros sul-coreanos.
No entanto, ainda havia indivíduos na Coreia do Sul disputando uma fina fatia da organização. Também existiam pessoas corruptas que tentaram destruir a Soka Gakkai no Japão e provocar problemas lá.
Entretanto, a união entre os membros sul-coreanos tornou-se mais forte à medida que venciam cada um desses desafios. Como resultado, aqueles que procuraram perturbar a organização desapareceram. E, por fim, a SGI-Coreia do Sul atingiu um marco significativo em seu desenvolvimento quando foi oficialmente constituída em abril de 2000.
A SGI é uma rede que liga pessoas de todo o mundo por laços comuns de “muitos corpos com uma única mente”. Ela brilha como um farol de esperança para a paz mundial. Fim do capítulo “SGI”, do volume 21 do romance Nova Revolução Humana.
Novo capítulo
Diplomacia do Povo
PARTE 1
O diálogo une as pessoas. E o budismo, uma filosofia que respeita a dignidade da vida, é propagado por meio do diálogo. Dialogar requer coragem, um genuíno calor humano que aceita e respeita os outros, além de sabedoria e paixão para criar compreensão e simpatia.
Empenhar-se no diálogo é um indicador da habilidade das pessoas. Por meio do esforço para dialogar, polimos e elevamos nossa vida.
Em vinte e oito de janeiro de 1975, após a fundação da SGI na Primeira Conferência para a Paz Mundial em Guam, Shin-iti Yamamoto retornou ao Japão. Havia ficado fora por cerca de três semanas, tendo visitado Los Angeles, Nova York, Washington, Chicago e Havaí antes de ir para Guam.
De volta ao Japão, participou da Reunião de Líderes da Soka Gakkai na Sede Central e de outros eventos, enquanto se esforçava para dialogar com diplomatas, líderes de diversos campos e jornalistas.
“O futuro do mundo depende de nossa habilidade em promover diálogos.” Essa observação é de autoria do Dr. Felix Unger, presidente da Academia Europeia de Ciências e Artes, com quem o presidente Yamamoto publicaria um diálogo posteriormente. O diálogo muda a era e transforma o destino da humanidade.
Em primeiro de fevereiro, ele visitou a embaixada americana em Tóquio e relatou ao embaixador James Day Hodgson sobre sua visita bem-sucedida aos Estados Unidos numa conversa de aproximadamente uma hora.
No dia seguinte, realizou um debate com o presidente da associação japonesa de Nova York, Isaac Shapiro, que envolveu vários tópicos, incluindo a relação entre idioma e cultura. Em seis de fevereiro, encontrou-se com John Roderick, correspondente de Tóquio da imprensa associada.
Eles falaram sobre a importância do desarmamento global e a proposta de Shin-iti de se criar uma Nações Unidas da Educação.
Em doze de fevereiro, Shin-iti se encontrou e conversou com o ex-primeiro-ministro japonês, Eisaku Sato (1901–1975). Pouco depois de receber o Prêmio Nobel da Paz em dezembro de 1974, Sato convidou-o para ver o prêmio na primeira oportunidade que tivesse. Embora Shin-iti se programara para ir aos Estados Unidos em 6 de janeiro, a reunião deles foi adiada para fevereiro.
PARTE 2
Sato ofereceu-se para visitar Shin-iti em sua casa. Porém, o presidente Yamamoto sentiu que seria inapropriado recepcionar um convidado tão eminente em sua humilde residência. Por isso, providenciou para que a reunião se realizasse num restaurante japonês próximo.
Shin-iti foi para o encontro com o ex-primeiro-ministro acompanhado de sua esposa, Mineko. Sato, que também estava com a esposa, Hiroko, usava terno e uma gravata verde, e seu cabelo um pouco comprido lhe dava um ar jovial.
Quando Shin-iti parabenizou-o por seu Prêmio Nobel da Paz, Sato disse:
— Obrigado. Realmente gostaria de mostrá-lo ao senhor. Por isso, estava tão ansioso para nos encontrarmos.
Eles se envolveram rapidamente numa agradável conversa em meio à refeição. Sato comentou:
— No meu retorno da cerimônia de premiação, parei na União Soviética e me encontrei com o primeiro-ministro soviético Aleksey Kosygin (1904-1980). Foi um encontro memorável. Não discutimos as disputas territoriais entre Japão e União Soviética, mas tivemos uma conversa amigável que durou cerca de uma hora. Naquele encontro, ele me disse: “Quando o senhor retornar ao Japão, por favor, envie minhas melhores considerações ao presidente da Soka Gakkai, Shin-iti Yamamoto. Acabei de realizar um intercâmbio muito significativo com ele”.
Shin-iti meneou a cabeça:
— É mesmo? Quando me encontrei com o primeiro-ministro Kosygin, em minha viagem à União Soviética no último mês de setembro, dialogamos francamente.
O presidente Yamamoto relembrou o que disse a Kosygin. Ele afirmou que a maioria dos japoneses temia a União Soviética e que era imperativo mudar essa impressão.
Também sugeriu ao primeiro-ministro que, caso a União Soviética quisesse compreender o povo japonês, era necessário ir até os líderes políticos conservadores, em vez de apenas se engajar com políticos e grupos pró-soviéticos no Japão.
Sato era considerado fiel líder a favor dos Estados Unidos. O fato de ter se encontrado com Kosygin talvez tenha sido uma indicação de que o primeiro-ministro soviético aceitou de coração o conselho de Shin-iti.
Um corajoso diálogo tem o poder de expandir a simpatia e o entendimento e, assim, mudar o mundo.
PARTE 3
O ex-primeiro-ministro japonês, Eisaku Sato, assentiu enfaticamente em resposta aos comentários de Shin-iti Yamamoto, e declarou:
— Seu sincero e apaixonado conselho ao primeiro-ministro soviético, Aleksey Kosygin, o incentivou a se encontrar comigo.
Shin-iti comentou:
— Não. Foi o primeiro-ministro Kosygin quem teve a integridade de considerar minha sugestão. Acredito que a grandeza do primeiro-ministro está em sua integridade.
O autor japonês Kanzo Uchimura (1861–1930) escreveu: “Ninguém jamais se tornou grande sem integridade”. Shin-iti sempre compartilhava essa citação com os jovens.
Sato disse:
— No entanto, o senhor se encontrou com Kosygin e falou com ele de uma forma direta, como se estivesse simplesmente oferecendo um conselho de amigo. É difícil para os representantes oficiais do governo se expressar tão abertamente uns com os outros. Por essa razão, o intercâmbio não oficial como este é tão essencial.
Sato também visitou a Universidade Estatal de Moscou durante sua viagem. Ele ficou impressionado ao saber que a instituição russa estava prestes a começar um programa de intercâmbio acadêmico com a Universidade Soka devido à confiança no presidente Yamamoto.
Shin-iti expressou sua crença na importância de valorizar as relações com a China. Ele mencionou os encontros que teve com o primeiro-ministro chinês, Chou Enlai (1898–1976), e o vice-primeiro-ministro, Deng Xiaoping (1904–1997), durante sua segunda viagem à China, que ocorreu em dezembro de 1974.
Sato falou, energicamente:
— Sou muito grato por seus esforços para construir uma ponte de amizade que liga o Japão à China. O senhor fez um trabalho excelente.
O ex-primeiro-ministro japonês também era reconhecido como forte aliado de Taiwan. No entanto, ele esperava pela normalização das relações diplomáticas entre Japão e China havia muito tempo, e Shin-iti estava bem ciente disso.
O apoio incondicional de Sato a Taiwan estava baseado na sua fé no líder de Kuomintang, Chiang Kai-shek (1887–1975). O ex-primeiro-ministro japonês era profundamente grato a Chiang por permitir a repatriação rápida dos japoneses depois da guerra e por se recusar a pedir pagamentos de reparação do Japão. Ele acreditava que essa consideração deveria ser retribuída.
Shin-iti encontrou-se com Sato várias vezes, relembrando os últimos dias dele como primeiro-ministro. O mais memorável desses encontros aconteceu nove anos antes, em janeiro de 1966. Na ocasião, Shin-iti o visitou em sua segunda casa, em Hase um bairro de Kamakura, na província de Kanagawa.
PARTE 4
A reunião de Shin-iti com o ex-primeiro-ministro japonês durou cerca de três horas e meia. No encontro, falaram sobre ampla gama de assuntos, incluindo o futuro do Japão, educação, religião e questões internacionais (imagem da capa).
Nesse dia, Sato estava completando catorze meses desde que deixara de ser o primeiro-ministro. Ele tinha sessenta e quatro anos e Shin-iti, trinta e oito, poderiam muito bem ser pai e filho. Contudo, o diálogo deles foi franco e sincero, transcendendo a diferença de gerações.
A reunião ocorreu logo após a publicação do primeiro volume do romance Revolução Humana, de Shin-iti. Sato comentou:
— Li a Revolução Humana. Descobri que o senhor empregou palavras muito duras para aqueles no poder. E escreveu que um cidadão comum é mais importante que o primeiro-ministro.
O livro tornou-se o primeiro tópico da conversa. Esse primeiro volume contém uma citação atribuída ao fundador da Soka Gakkai, Tsunessaburo Makiguti: “O que me dói não é apenas a queda de nossa religião, mas sim ficar de lado e assistir toda a nação ser destruída diante dos meus olhos”.
Essas palavras exprimem sua indignação com o sacerdócio da Nitiren Shoshu por ter sucumbido à pressão aplicada pelas autoridades militares japonesas abandonando suas convicções religiosas.
Sato comentou em tom sério:
— A Soka Gakkai é muito íntegra. Tem um espírito puro. Entendo a pureza de sua preocupação com o bem-estar da nossa nação.
Após conversarem por cerca de quarenta minutos na sala de estar, Shin-iti e o ex-primeiro-ministro continuaram sua discussão durante a refeição servida na sala de jantar pela esposa de Sato, Hiroko.
Na época, a Soka Gakkai e o Partido Komei ainda não haviam se tornado organizações completamente separadas. Talvez o ex-primeiro-ministro Sato tivesse a intenção de buscar algum tipo de cooperação do Partido Komei, mas esse assunto jamais foi abordado.
Em vez disso, Sato expressou seus pensamentos sobre o futuro do Japão, o estilo de vida e as atitudes espirituais do povo japonês, lamentando a aparente indiferença da geração mais jovem com o futuro do país. Shin-iti sentiu sua preocupação:
— É uma pena que os jovens não estejam dispostos a se levantar pelo futuro do seu país, bem como pelo futuro da humanidade e do mundo. Acredito que a Soka Gakkai tem a missão de desenvolver os jovens que se levantarão para esse desafio.
Sato também lamentou a perda dos padrões morais no Japão desde o fim da guerra:
— Enquanto o Ocidente tem a religião como fonte de moral, estou preocupado com os japoneses que não possuem nada que sirva como guia para o desenvolvimento da autodisciplina.
Um dos papéis importantes da religião é estabelecer um senso de moralidade no coração das pessoas.
PARTE 5
O primeiro-ministro Eisaku Sato lamentou:
— Líderes políticos devem oferecer um exemplo de integridade moral. Mas nisso eles falharam, o que é uma grande desgraça.
Parecia que ele ponderava muito sobre como encontrar meios para enobrecer o espírito do povo.
Depois do jantar, Shin-iti foi conduzido ao estúdio de Sato. Ao subir a escada que o levava até lá, Shin-iti reparou numa fotografia emoldurada pendurada na parede. Ela mostrava Sato em pé ao lado de Shigeru Yoshida (1878-1967), político e ex-primeiro-ministro conhecido por traçar o curso da recuperação pós-guerra do Japão.
— Este é o meu mestre – Sato disse orgulhosamente.
Observando-o que, como primeiro-ministro de uma nação, respeitava seu mestre e o apresentava aos outros com orgulho, Shin-iti sentiu que poderia confiar nele.
Pessoas que procuram a verdade e o autodesenvolvimento sempre buscam por mestres. E aqueles que têm um mestre em seu coração possuem personalidade que exala força interior e dignidade.
O antigo filósofo romano Sêneca escreveu: “Se eu não devo a tal homem todo o amor que dou àqueles que eu sou ligado através de laços de gratidão, sou eu, na verdade, ingrato”.
Sato era considerado um dos seletos pupilos de Yoshida. Ele ofereceu seu sincero e inabalável apoio a Yoshida, a quem tinha como um pai.
Mesmo durante a fusão, ocorrida em 1955, de forças políticas conservadoras que criou o Partido Democrático Liberal, permaneceu-lhe fiel, preferindo, por um tempo, ficar independente do que se juntar ao novo partido majoritário. Ele foi leal a Yoshida por toda a sua vida.
— Toda foi o seu mestre, não foi? — perguntou Sato.
— Sim. Jossei Toda foi o meu mestre. Shin-iti respondeu com orgulho. — Ele foi um renomado matemático, educador e homem de negócios. O Sr. Toda pessoalmente me instruiu em uma variedade de assuntos, provendo-me com uma incomparável educação.
Sato sorriu e assentiu com a cabeça. Eles continuaram conversando no estúdio que ocupava o último andar da casa.
— O Sr. Toda era um homem bom, Sato comentou. — A Soka Gakkai é uma organização impressionante. Podemos aprender muito com ela.
Nada faz um discípulo mais feliz que ter o seu mestre reconhecido. Shin-iti decidiu em seu coração que sua missão como discípulo é empenhar-se ao máximo para o mundo apreciar a grandeza de seu mestre.
PARTE 6
Quando o primeiro-ministro Sato soube que seu mestre, Yoshida, tinha morrido, estava nas Filipinas numa visita de Estado. Era outubro de 1967. Ele ficou chocado pela notícia e chorou de tristeza.
Imediatamente contatou o Japão e deu instruções para que um funeral de Estado fosse realizado. Não havia jurisprudência no Japão pós-guerra para um evento desse e alguns se opuseram à ideia. Mas o primeiro-ministro persistiu, determinado a ver que as mais altas honras fossem prestadas a seu mestre.
Logo após ter aterrissado no Aeroporto de Haneda em Tóquio, Sato seguiu diretamente para a casa de Yoshida em Oiso, província de Kanagawa. Estremeceu com a visão de seu mestre falecido. Que juramento fez a ele naquele momento?
No mês seguinte, Sato visitou os Estados Unidos, onde falou sobre o retorno das ilhas ocupadas, Ogasawara e Okinawa, ao Japão. Em particular, ele obteve um acordo dos Estados Unidos para devolver Ogasawara dentro de um ano. Esse foi um desejo acalentado há muito tempo por Yoshida.
Durante as negociações do Tratado de Paz com o Japão (também conhecido como o Tratado de Paz de São Francisco de 1951), Yoshida foi bem sucedido em fazer os Estados Unidos reconhecerem a “soberania residual” do Japão sobre as ilhas de Amami, Okinawa e Ogasawara. Isso significava que, embora os territórios estivessem temporariamente sob controle de um país estrangeiro, os Estados Unidos, eles poderiam ser revertidos para o Japão.
Desse modo, Yoshida abriu caminho para o eventual retorno dessas ilhas a seu país. Amami fora devolvida ao Japão em 1953 e somente Okinawa e Ogasawara permaneciam sob o controle dos norte-americanos.
A visita de Sato aos Estados Unidos significou mais um passo em direção à realização do desejo de Yoshida. Em seu coração, Sato, sem dúvidas, comunicou orgulhosamente sua conquista a seu mestre.
Discípulos empenham-se em realizar o objetivo do mestre. Devem concretizar tudo aquilo o que seu mestre desejou e não realizou em vida. Esse é o caminho da unicidade de mestre e discípulo.
Sato ocupou o cargo de primeiro-ministro por um período de sete anos e oito meses, a mais longa permanência na história japonesa. Algumas de suas notáveis realizações durante esse período são: o retorno de Okinawa ao Japão, a promulgação de revisões legais de acordo com a convenção da OIT (Organização Internacional do Trabalho) e a assinatura do Tratado de Relações Básicas entre o Japão e a República da Coreia.
Nove anos haviam se passado desde o último encontro entre Shin-iti e o ex-primeiro-ministro, em Kamakura. Com um sorriso caloroso e despreocupado que parecia preencher as lacunas dos anos sem se ver, Sato falou do futuro do Japão e do mundo.
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