WALTER BENJAMIN
Walter Benjamin (1892 – 1940) é considerado como um dos maiores pensadores do século XX. Equidistante das três principais correntes filosóficas que o influenciaram, o idealismo alemão, o materialismo histórico e o misticismo judaico, podemos dizer que o pensamento de Benjamin superou e se distinguiu de suas raízes e abarcou uma multidisciplina que abarca vários campos das filosofias política, antropológica, estética e literária.
Alguns de seus mais conhecidos ensaios, A obra de arte na época de sua reprodutibilidade estética, Sobre alguns temas em Baudelaire, Sobre o conceito de história e O narrador são fragmentos para A Obra das passagens, traduzida e analisada como uma coleção de narrativas de rara singularidade, originalidade à frente de seu tempo. Sua obra-prima inacabada Paris, capital do século XIX, que também reuniria todos estes textos em forma de fragmentos, ou ruínas como gostava de se referir, escapa até hoje a qualquer tentativa de enquadramento, como a crítica que liga Benjamin à Escola de Frankfurt de um marxista como Adorno ou ao misticismo judaico de seu grande amigo Gerschom Scholem.
Para dar um exemplo dessa estreiteza crítica diante da riqueza de seu pensamento filosófico, basta ver um de seus iluminados insights, como o da correspondência da estetização da política do nazismo versus a politização da arte pelo comunismo, observação de uma argúcia filosófica e premonição histórica surpreendentes.
Na verdade, A obra das passagens era construída como uma colagem de fragmentos de uma arqueologia do advento da própria modernidade; como em Baudelaire, modernus, ao modo de hoje, é o último grito romântico da vitória da fé no progresso, e do culto à mercadoria burguesa, sobre a nostalgia do romantismo utópico socialista. No mais, ele viveu e morreu misteriosamente negando as dicotomias do despotismo moderno, tanto a do Estado capitalista governando pela lógica do consumo quanto os Estados comunista e fascista governados pela lógica coletivista. Afirmando sempre as liberdades individuais dos cidadãos autônomos, como na abertura do texto sobre o conceito de história: - a tradição dos oprimidos nos ensina que o “Estado de emergência” no qual vivemos não é uma exceção, se não a própria regra do Estado.
Ainda no texto sobre o conceito de história Benjamin se afasta tanto do determinismo histórico marxista, que afirma que a história é sempre uma perspectiva de classe, como a do idealismo alemão, que a vê como a narrativa de um observador isento.
E extrai da sua teoria da literatura a própria teoria da história quando afirma que a literatura nada mais é do que a história do que poderia ter acontecido, interpretada pelo testemunho da história que aconteceu de fato. Como já se aludiu com relação a Walter Benjamin, ele era essencialmente um cidadão do mundo que, mesmo trocando de país, de língua, de escolas e autores e sobretudo de objetos de estudo, jamais abriu mão de sua liberdade de escolha, dando a vida mesma pela sua consciência de cidadão autônomo e independente.
Fonte: Portal a voz do cidadão.
Walter Benjamin (1892 – 1940) é considerado como um dos maiores pensadores do século XX. Equidistante das três principais correntes filosóficas que o influenciaram, o idealismo alemão, o materialismo histórico e o misticismo judaico, podemos dizer que o pensamento de Benjamin superou e se distinguiu de suas raízes e abarcou uma multidisciplina que abarca vários campos das filosofias política, antropológica, estética e literária.
Alguns de seus mais conhecidos ensaios, A obra de arte na época de sua reprodutibilidade estética, Sobre alguns temas em Baudelaire, Sobre o conceito de história e O narrador são fragmentos para A Obra das passagens, traduzida e analisada como uma coleção de narrativas de rara singularidade, originalidade à frente de seu tempo. Sua obra-prima inacabada Paris, capital do século XIX, que também reuniria todos estes textos em forma de fragmentos, ou ruínas como gostava de se referir, escapa até hoje a qualquer tentativa de enquadramento, como a crítica que liga Benjamin à Escola de Frankfurt de um marxista como Adorno ou ao misticismo judaico de seu grande amigo Gerschom Scholem.
Para dar um exemplo dessa estreiteza crítica diante da riqueza de seu pensamento filosófico, basta ver um de seus iluminados insights, como o da correspondência da estetização da política do nazismo versus a politização da arte pelo comunismo, observação de uma argúcia filosófica e premonição histórica surpreendentes.
Na verdade, A obra das passagens era construída como uma colagem de fragmentos de uma arqueologia do advento da própria modernidade; como em Baudelaire, modernus, ao modo de hoje, é o último grito romântico da vitória da fé no progresso, e do culto à mercadoria burguesa, sobre a nostalgia do romantismo utópico socialista. No mais, ele viveu e morreu misteriosamente negando as dicotomias do despotismo moderno, tanto a do Estado capitalista governando pela lógica do consumo quanto os Estados comunista e fascista governados pela lógica coletivista. Afirmando sempre as liberdades individuais dos cidadãos autônomos, como na abertura do texto sobre o conceito de história: - a tradição dos oprimidos nos ensina que o “Estado de emergência” no qual vivemos não é uma exceção, se não a própria regra do Estado.
Ainda no texto sobre o conceito de história Benjamin se afasta tanto do determinismo histórico marxista, que afirma que a história é sempre uma perspectiva de classe, como a do idealismo alemão, que a vê como a narrativa de um observador isento.
E extrai da sua teoria da literatura a própria teoria da história quando afirma que a literatura nada mais é do que a história do que poderia ter acontecido, interpretada pelo testemunho da história que aconteceu de fato. Como já se aludiu com relação a Walter Benjamin, ele era essencialmente um cidadão do mundo que, mesmo trocando de país, de língua, de escolas e autores e sobretudo de objetos de estudo, jamais abriu mão de sua liberdade de escolha, dando a vida mesma pela sua consciência de cidadão autônomo e independente.
Fonte: Portal a voz do cidadão.
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