05/12/2012 - 14h08

Premiê de Israel diz que se decepcionou com abstenção alemã na ONU


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, disse que está decepcionado com a Alemanha após o país ter se abstido na votação que mudou o status da Palestina para Estado observador não membro da ONU (Organização das Nações Unidas).

A declaração foi feita ao jornal alemão "Die Welt", que publicará a entrevista com o premiê na quinta (6), dia em que ele chegará à Berlim para conversar com a chanceler Angela Merkel e pedir apoio nas negociações com os palestinos.

"Esperávamos, pelo compromisso histórico com Israel e pelo peso do Holocausto, que a Alemanha votasse com um não rotundo nessa votação e que não se somasse ao abstencionismo minoritário na União Europeia", disse.
No bloco de 27 países, 15 votaram a favor dos palestinos, incluindo a França, 11 se abstiveram e apenas a República Tcheca votou contra. No total, 138 países respaldaram o novo status palestinos, nove votaram contra e 41 se abstiveram.

Apesar de se abster, a Alemanha condenou a decisão de expandir os assentamentos na Cisjordânia, mas não chamou o embaixador de Israel para expressar seu repúdio à ação. No entanto, o porta-voz do governo, Steffen Seibert, deu a entender na segunda (3) que Merkel o fará pessoalmente.
Em Praga, na República Tcheca, Netanyahu disse que está aberto a negociações e disse que a solução do conflito é a construção de dois Estados, desde que os palestinos reconheçam Israel. Ele aproveitou para agradecer o voto negativo à resolução da ONU.

REPRESÁLIA
 
Um dia após a votação da ONU, Israel anunciou a construção de 3.000 novas casas em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.
Em especial, preocupa a situação de um assentamento, chamado de E1, que, se concretizado, dividirá a Cisjordânia em duas. De acordo com o jornal israelense "Haaretz", no caso do Reino Unido e da França, a construção do E1 é considerada uma "linha vermelha".
Londres e Paris teriam se irritado porque veem as medidas como ingratidão de Israel em relação ao apoio dado durante sua mais recente ofensiva contra as milícias palestinas na faixa de Gaza, que matou mais de 160 palestinos.

Boa parte da comunidade internacional considera ilegal a presença israelense em território palestino. Há também argumento de que as construções acabarão por inviabilizar a solução de dois Estados, ou seja, a convivência, ao lado de Israel, de um Estado palestino com capital em Jerusalém Oriental.
O anúncio das construções não foi a única represália anunciada por Israel. O governo do Estado judaico ainda anunciou que não vai repassar US$ 100 milhões (R$ 213 milhões) em impostos da Autoridade Nacional Palestina (ANP), em novembro. O valor é a metade do Orçamento palestino.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

José Honório Rodrigues: a obra inacabada

Encontro com o Mestre